Ferramentas mal utilizadas

De acordo com nosso parceiro e amigo Emílio Sant’Ana, “existem algumas ferramentas mal utilizadas que podem nos ajudam a ativar estados mentais (Mindsets) que nos permitem não ficar perdidos frente a situações de crise e poder retornar rapidamente à normalidade que escolhemos: esperançosos, criativos, inspirados e produtivos.”.

Nesse blog, compilamos e adaptamos uma série de posts de suas redes sociais, onde ele apresenta técnicas para fazer o uso adequado dessas ferramentas para conseguir aumentar o desempenho tanto no esporte quanto na vida.

Fica por aqui e aprenda que “é no detalhe que você cultiva o essencial“!

Por onde começar?

Sabemos que dispomos de muitas ferramentas para nos auxiliar nas tarefas cotidianas e que muitas ferramentas mal utilizadas acabam prejudicando nossa performance.

Crises e eventos tendem a desmontar nosso estado mental produtivo e fazer com que a insatisfação tome conta da pauta e inspire agenda e ações, nos fazendo entrar num redemoinho improdutivo que, espera-se, cessará com o fim da crise ou do evento.

Porém isso é um engano e o tempo passado nesse estado ainda repercutirá mesmo depois de cessada essa “inspiração”.

Aprimorar esses estados, fazer melhor uso das ferramentas disponíveis e fortalecer as crenças pessoais são escolhas! Mas por onde começar?

Comece escaneando sua natureza, assumindo um chamado pessoal à realização e desenvolva uma nova crença pessoal sobre você mesmo (e sobre o mundo em sua volta).

Isso pode te dar algum trabalho e exigir ajuda externa, mas poderá libertar um potencial poderoso frente a conceitos como fracasso, impossibilidade e limitação!

Ferramentas mal utilizadas: Motivação

Motivação

Em tempos (recentes) de “ditadura motivacional” e reinado do “EU”, é quase um crime tocar no assunto “limitações pessoais”, uma vez que a tônica é “você quer, você pode!”.

E eis que veio o xeque-mate! Um vírus e uma pandemia definitivamente foram capazes de virar o tabuleiro do jogo, sequestrando todos os conceitos construídos nos últimos 20 anos.

Fomos obrigados a encarar a verdade de que aquele é um pressuposto ilusório, já que a observação nos mostra que pessoas abandonam seus projetos logo que se veem emergindo em problemas pessoais ou conjunturais, elegendo responsabilidades exógenas e simplesmente empacam na vida!

Hoje podemos ver que “Você quer, mas não pode; se você não pode, você deixa de querer!”.

O que fazer para desvirar esse jogo então?

Ter paciência? Nem tanto! Uma falsa compreensão de paciência vai te manter empacado muito tempo!

Partir para a ação? Também não, pois a impulsividade pode te atolar ainda mais!

Ter autoconfiança? Talvez você já tenha, mas talvez alguém o tenha desencorajado num ponto lá atrás ou diariamente o apunhale!

Ter resiliência? Certamente a busca imediata do prazer e da realização feche a porta para essa qualidade se desenvolver!

Olhando os fatos recentes e as consequências/reações podemos constatar como atualmente os processos pessoais de realização/satisfação estão dependentes de atores extrínsecos e, nesse contexto, outras ferramentas mal utilizadas nos últimos tempos se tornam bastante necessárias para que você possa assumir o controle da sua própria vida.

Disciplina

Muitos se perguntam se a disciplina saiu de moda ou se ser disciplinado é ser careta. Para mim essa é uma desculpa de quem quis ou quer usar o “jeitinho” pra se dar bem!

A disciplina é um “norte”, um guia.

É ela que te tira de um estágio improdutivo e te impulsiona à realizações.

A sua negação não consiste na indisciplina, mas na displicência – lacuna de compromisso, ou um estado letárgico que conduz à improdutividade. E é sabido que o indivíduo improdutivo carece de realizações!

A “rotina” é um processo pedagógico que uma vez apreendido, mediante uma escolha consciente, vai solidificar a base para a disciplina.

Logo, a disciplina não é nada mais que a repetição diária da escolha feita a partir dos resultados que a rotina apresentou.

A noção de “inconsciência” e “automação” são uma visão caricata e rançosa da disciplina, elaborada e reforçada, geralmente, por quem privilegia o temperamento em detrimento da transformação ou por quem se agarrou à displicência para fazer do “complexo de Gabriela” um meio de vida.

Outra manifestação da displicência é a noção de recompensa/elogio que independe de mérito: uma lei não natural que garante a todo nascido o afago do reconhecimento, independente de feito louvável.

Para encerrar o ciclo improdutivo que você passa por confundir displicência com virtude, desafie-se a:

  1. Escrever num papel: onde você quer estar! (Meta)
  2. Listar nesse papel três passos que vão te conduzir à posição do seu desejo;
  3. Realizar diariamente algo de concreto referente a esses passos;
  4. Relatar diariamente os frutos imediatos dessas ações;
  5. Mediante o registro do dia anterior, avaliar se vale a pena repetir o processo novamente no dia atual.

Fazendo isso, você já pode se orgulhar de ter uma disciplina para chamar de sua!

Ferramentas mal utilizadas: Foco

Foco

Depois de entender suas necessidades e buscar a rotina que irá te fazer alcançar suas metas, tenha foco, ou seja, tenha você mesmo como opção prioritária.

Aprenda a dizer não àquilo que nada ou pouco tem a ver com seu objetivo. Mantenha-se fiel às suas diretrizes e convicções, lembrando que foco não se contrapõe à maleabilidade e que diretrizes têm como vocação serem reajustadas e que convicções são epocais.

Atente que foco é fazer o que tem que ser feito, na hora que tem que ser feito, por isso, ter foco durante o horário de treino não é apenas foco, é atenção

Foco é sacrificar-se em prol de um projeto que você definiu como importante, mas sacrifício não é sofrimento e projetos têm que ter data de início e fim.

Por fim, nada vai afastar de nós as dificuldades, agruras e desconfortos naturais do caminho! Essas situações sempre estarão presentes para testar nosso propósito e abrir caminho para que a nossa natureza sobressaia.

Lembre que propósitos impróprios e naturezas frágeis só irão dificultar nossa jornada e nos desanimar. Por isso os propósitos podem e devem ser corrigidos e a natureza pode ser modificada com orientação e força de vontade!

Resiliência

A resiliência é aquela qualidade improvável que você não quer pagar pra ter! Ela pressupõe desapego quando você está no jogo para ganhar. É a qualidade do tipo de gente que você não quer ser: simples, despojada… monacal.

Ter resiliência é não se desesperar, não se abater e não sofrer antes da hora, tendo a tranquilidade de que, na iminência do pior cenário, você saberá usar sua melhor qualidade!

Ser resiliente é assumir o corte dos vínculos com o prazer, pelo menos com o ideário de que você vai conquistá-lo só para você.

Finalmente, desenvolver a resiliência é proporcional à maturidade do amor-próprio: você se dispõe a perder qualquer coisa para não se perder de você mesmo.

Dois pontos

Quer melhorar seu desempenho? Estabeleça dois pontos na “timeline” da sua vida real da seguinte forma:

👉 O “ponto de não-retorno”

Este pode ser o limite, ou o ponto que você não quer retornar na sua história pessoal, o ponto deplorável onde você não admite se encontrar – seja corajoso(a);

👉 O “ponto da virada”

Agende ou reconheça o vértice inferior da elipse do seu desempenho pessoal, o ponto onde vai pôr os pés no chão para saltar de volta pro jogo.

Daí pra frente é só você entender que ascensão ou queda são provocados por um conjunto de hábitos-medidas que ditam o ritmo e a direção do seu destino: assuma o controle, reconheça essas ferramentas mal utilizadas, faça melhor uso delas e deixe os dias ruins e as dificuldades no passado, passando a transitar numa atmosfera de tranqüilidade e progresso pessoal.

Invista em você!

UP!

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